quarta-feira, 1 de maio de 2013

Volta Para Casa Parte 3 - Viagem e Preparativos


Para finalizar essa série de posts contando como foi o nosso retorno para o Brasil, o assunto agora é a viagem em si e alguns dos preparativos.

Uma das nossas maiores preocupações antes da viagem foram as malas. Nós queríamos trazer tanta coisa e não sabíamos o que realmente ia dar e o que não ia dar. Trouxemos 8 malas e 3 caixas nas quais enfiamos nossas roupas e calçados, coisas de cozinha, alguns móveis desmontados, video game e acessórios, comida e etc. Nós tínhamos direito de cada um levar duas malas de 32 quilos no porão do avião e uma de até 21 quilos como bagagem de mão. Então das nossas 8 malas, 6 estavam incluídas no preço da passagem. As outras duas malas e as 3 caixas foram como excesso de bagagem. O preço por mala (de até 32 quilos) era de 75 dólares. Um preço bem razoável, melhor até que no Brasil. Além das cinco malas de excesso, ainda tivemos que pagar para a Delta a taxa de embarque dos gatos, que também era de 75 dólares para cada.

O nosso voo saiu do aeroporto de Detroit, que fica a uns 40 minutos de Ann Arbor. O único jeito de levar esse bando de mala foi alugar um carro grande. Alugamos uma pick up gigante em Ann Arbor e retornamos o carro lá no aeroporto mesmo (pagando um adicional por essa facilidade).

Pick up com as malas

Chegando ao aeroporto começou a loucura que foi a viagem de volta. Primeiro o gato cinza começou a ficar muito desesperado e agitado. Tivemos que dar o remédio calmante dele bem antes do que nós pretendíamos. Depois que ele se acalmou nós ficamos um bom tempo pesando mala por mala antes de fazer o check-in para fechar no peso certo e não ter que pagar um valor de excesso ainda maior. Tivemos que deixar algumas coisinhas para trás. Finalmente fizemos o check-in e deu tudo certo com o peso das malas. Depois disso tivemos que andar uma longa distância até o nosso portão de embarque carregando os gatos e as malas de mão. A viagem ainda nem tinha começado de verdade e nós já estávamos totalmente quebrados.

Aí chegou a hora de entrar no avião. O primeiro voo foi uma escala até Atlanta. Quando entramos no avião, praticamente todo mundo estava sentado e o voo estava lotado. Estava tão cheio que não tinha mais espaço para as nossas bagagens de mão. Os comissários falaram que elas teriam que ir embaixo. Que beleza, as nossas malas que estavam com todas as coisas que não queríamos despachar embaixo, tipo video game, maquiagens, um dos notebooks e outras coisas que chamam muita atenção desses safados que abrem as malas dos outros nos aeroportos. Tudo isso teria que ir separado de nós até o Brasil. Tivemos que aceitar, já que os gentis comissários e funcionários do aeroporto estavam na maior pressa e não deu nem para argumentar. Do jeito que esse povo de aeroporto americano é estressado era capaz de eles nos prenderem por causar desordem no voo se a gente reclamasse muito. O avião era apertado, não víamos a hora de entrar no outro avião que iria direto para o Rio de Janeiro. Imaginávamos que ele seria um pouco mais espaçoso por se tratar de um voo internacional. Nos enganamos totalmente. Depois de desembarcar em Atlanta e pegar o outro voo pro Rio, entramos em um avião super apertado que não tinha a mínima condição de esticar as pernas, ainda mais com os gatos debaixo dos nossos assentos. Aliás, quase que os gatos não cabiam lá, pra ter uma noção da lata de sardinha que era aquilo. Uma loucura e falta de respeito ter que passar 10 horas naquele aperto. Não conseguimos dormir nada, ainda mais depois que o efeito do remédio do gato cinza passou e ele começou a se desesperar de novo. Ao invés de descansar nós ficamos ainda mais cansados depois desse voo.

Só de pensar o que ainda tinha pela frente dava um desanimo muito grande. Descemos do avião muito preocupados com as malas. Nós até havíamos feito uma lista do que tinha em cada mala para verificar se algo tinha sido roubado ali mesmo. Antes de ir pegar as malas passamos pela imigração e já demos de cara com a tradicional falta de educação do cidadão brasileiro. No atendimento da imigração estávamos em uma fila e na hora que chegou a nossa vez o agente nos chamou. Enquanto juntávamos as nossas coisas para ir até ele, um casal passou direto por nós e furou a fila. Imagina um estrangeiro chegando no país e de cara, já na imigração vê esse belo exemplo de cordialidade.

Depois disso fomos pegar as malas e felizmente estava tudo lá. O problema agora era passar com tudo aquilo pela alfandega e carregar todas elas pelo aeroporto. Conseguimos dividir tudo em quatro carrinhos, mas como éramos só dois a gente teve o maior trabalho pra ficar empurrando eles pela fila da alfandega. E novamente o amigável povo brasileiro atacou. Como a gente estava com uma toneladas de coisas e levando um carrinho de cada vez, nós acabamos atrasando o andamento da fila. Uma mulher impaciente com a situação, ao invés de tentar oferecer alguma ajuda, queria cortar pela nossa frente. A Nandinha só deu um olhar fulminante e a mulher recuou e perguntou se ela estava comigo na fila. Ela disse que sim e daí a mulher dispara: "Ah, é que você estão com muita coisa". A Nandinha só respondeu: "Sim, é que nós estamos de mudança". Depois disso ela até ajudou a empurrar um dos carrinhos pra agilizar o processo. Quando estávamos quase chegando no atendimento da alfandega uma funcionária perguntou da documentação dos gatos. Nós teríamos que tirar uma documentação nova lá na sala do Ministério da Agricultura para poder passar com os bichos. Tivemos que deixar as malas de canto enquanto eu ia lá com os gatos pegar o tal documento. Aproveitei e pedi logo uma outra autorização para eles viajarem dentro do Brasil, caso a GOL pedisse na hora da conexão nacional. Voltei pra fila da alfândega e mostrei pra mulher nosso atestado de residência que tiramos com o consulado dos EUA. Ela aceitou e deixou a gente passar com as malas.

Ficamos sentados esperando a hora de embarcar novamente na conexão nacional para São Luís. O voo seria com a GOL e o check-in deles era no outro terminal. Tivemos que atravessar o aeroporto inteiro com todas as malas para poder despachá-las. O que era mais esse passeio pra quem já estava quebrado e sem dormir há 1 dia e meio?

Na hora do check-in felizmente a GOL não cobrou por excesso de bagagem, uma vez que já havíamos pago a Delta. Entretanto, eles cobraram uma facada pelos gatos, mesmo depois de já termos pago a Delta por esse serviço. Para a delta foi 150 dólares em um voo internacional. Para a GOL pagamos mais de 500 reais para levá-los do Rio até São Luís. Pior, pagamos esse preço absurdo para os gatos irem no porão do avião, já que a GOL não aceita animais na parte de cima. Ficamos muito preocupados com isso, mas o único jeito era confiar na GOL. Felizmente deu tudo certo e chegamos a São Luís inteiros, com os gatos vivos e com as malas intactas (ou quase isso). Depois de tanto tempo em um lugar frio que nem Michigan a gente sentiu demais o calor abafado de São Luís. Chegamos aqui a noite, mas estava quente demais. Fiquei todo suado carregando as malas para os carros, coisa que raramente acontecia nos EUA. Subimos as escadas do nosso apartamento que não víamos há tanto tempo com as malas pesadas e finalmente chegamos em casa. Fomos vendo todos os cantos do apto, lembrando de coisas que a gente nem lembrava mais que tinha. Foi engraçado ver os gatos redescobrindo os lugares preferidos que eles tinham antes de irem embora. Tomamos um belo banho, ligamos o ar condicionado e finalmente fomos dormir, depois de quase dois dias acordados e estressados.

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